Primeiras Informações

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Meu nome é Mônica Valéria; Saber seu significado me trouxe Iaromila. Portanto, desde 2005, este é o meu nome profissional: Mônica Valéria Iaromila. Minha atuação é Arteterapia e Educação. Sou uma cuidadora, e nesta palavra cabe amor, poesia, encantamento e luz. Considero-me um veículo para que as pessoas saibam qual é o seu próprio sol, transformem o que é possível, fazendo-o brilhar com a força que lhes é própria. Como James Hillmann afirmou "estou humildemente a serviço da Alma". Trabalho com crianças a partir de 10 anos, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Em grupos e individualmente. Ofereço cursos, palestras e oficinas e participo de projetos que considero válidos. Arteterapia - Arte para a Vida, na Vida e pela Vida - Criatividade, Cuidado & Acolhimento - Atendimentos na Tijuca - Telefone: (21)3063-1596; E-mail: monica.iaromila@gmail.com

OMINIBU pode significar águas profundas ou poço. São cinco blogs que estão contidos nessa fonte:

O Ominibu propriamente é a porta de entrada, onde encontrar-se-á crônicas, poesias, explicações sobre arteterapia, blogs e sites amigos, textos que me são importantes etc.

Naima - poesias e prosa: http://naima-imagens-poesias.blogspot.com/

Informações sobre arteterapia: http://www.iaromilamv.blogspot.com

http://www.propostasdoespaco-arteterapia.blogspot.com

O "Descaramujando" traz informações sobre minha pessoa e formação, além de textos: http://escritosmeus-escritosproximos.blogspot.com/

No blog Aprendizados são encontradas propostas de cursos, informações sobre Calatonia e Reiki. aprendizados

Mais umas palavrinhas...

Passamos a vida aprendendo a Ser e Viver nossa Essência. Vivenciar o presente plenamente é o nosso desafio. Temos a oportunidade diária de Renovação, uma de nossas dádivas. Ser é o que basta, viver na Presença, construindo um relacionar-se baseado nessa premissa. Os encontros possibilitam entrega, confiança e o compartilhar - embora sejamos autosuficientes, somos seres relacionais. Quebrar as ilusões que nos separam do todo parte de uma crua compreensão que somos sós, mas somos Um. Tenho esperança na construção de um mundo mais equânime, no qual todas e todos possam estar bem consigo mesmas(os), bem nas suas peles. É um bom combate, feito através do afeto, da veracidade e dos saberes que me perpassam.

Diante da água profunda, escolhes tua visão; podes ver à vontade o fundo imóvel ou a corrente, a margem ou o infinito; tens o direito ambíguo de ver e de não ver; tens o direito de viver com o barqueiro ou com uma nova raça de fadas laboriosas, dotadas de um gosto perfeito, magníficas e minuciosas. A fada das águas, guardiã da miragem, detém em sua mão todos os pássaros do céu. Uma poça contém o universo. Um instante de sonho contém uma alma inteira. (...) O passado de nossa alma é uma água profunda. (Gaston Bachelard)

Mônica Valéria Iaromila - Arteterapeuta (AARJ 213);
Coordenadora do Bharani - Arte, Terapias e Vida. Co-coordenadora do Têmenos Arteterapia, Formação em Arteterapia, grupos de estudos e de aprofundamento. Psicoterapeuta Corporal em Análise Psico-Orgânica e Psicologia Biodinâmica -(CEBRAFAPO/EFAPO Brasil-França) desde Outubro de 2013;
Estudos em Aromaterapia e utilização de óleos essenciais desde 2013. Mestre em História - Bacharelado e Licenciatura em História - UERJ; Mestre em REIKI;




segunda-feira, 30 de março de 2009

Curso

Olá amig@s,

Apresento o Curso sobre cultura e religiosidade no link Calatonia, estudos...
Você pode encontrar o programa introdutório (8 aulas) e básico (16 aulas)neste link.

Quem estiver interessado é só entrar em contato: 8696-4300.

sábado, 28 de março de 2009

Da rua

Mônica Valéria

Rodrigo estava passando pelo beco, o mesmo de quase todos os dias, o beco que dá no seu bar preferido. O bar, um quadrado com um balcão em U e aqueles bancos altos, cobertos com um muito gasto courin vermelho. Quatro horas da tarde, hora de poucos personagens. O velho que mora na rua ao lado, num sobradinho que fica em cima do brechó, está sentado na mesma cadeira de sempre, na extrema direita do U. Rodrigo sorri ao imaginar o desgosto do velho se algum desavisado parasse para tomar uma coca e sentasse na "sua cadeira". Ele chega à mesma hora, senta na mesma cadeira, come a mesma comida e fica por ali a observar as mulheres.

Procurando algum dinheiro no bolso e descobrindo que tem o bastante para umas três cervejas, Rodrigo começa sua apreciação. Enquanto bebe seu primeiro gole do dia, observa uma discussão entre um grupo de pivetes, discutem algo sobre futebol, coisas banais, como se estivessem na sala de casa, entre a família. De repente, a discussão para, seus olhos acompanham uma mulher de generosas formas que passa sozinha. Ela, imponente, não olha para o lado. Os meninos deixam a discussão e ficam a apreciar o material.

Então, José chega, devagar, como sempre. Era um doce companheiro de copo. Ele espera o namorado na mesma hora, todos os dias, após o trabalho. Chegou mais cedo porque tivera uma discussão com sua chefe, "uma dona infeliz", segundo ele, como na música de Chico. Começa a contar o caso, mas Rodrigo não ouve muito da história, fica observando os detalhes do rosto do amigo, as marcas; e imagina como seria seu rosto na hora do prazer. Pensamento estranho, retorna Rodrigo. Ao final da narrativa sobre o episódio com a chefe, da qual Rodrigo não ouvira palavra, ele faz como lhe ensinaram em algum lugar - balança a cabeça e diz:
- Dureza...
Todos ficam felizes e partem para outro assunto. José pergunta como estão as coisas, Rodrigo responde que tudo está caminhando bem, mas que poderia estar melhor.
- As ruas estão pouco interessantes, meu amigo, nada de muito novo acontecendo.
José adverte Rodrigo, dizendo que o amigo corria riscos demais e pergunta por Hélio. Rodrigo fala então da instabilidade de Hélio, seu mau hábito de nunca cumprir promessas, que ele não sabe viver intensamente, mas acha que sabe.
José presta muita atenção às palavras de Rodrigo, acha curioso que ele aponte covardia em Hélio. Pensava, "o que um intelectual vê neste lugar". Era difícil de compreender, até para ele, mas jamais perguntaria. Uma lei das ruas, perguntas demais são impróprias.

Nesse momento, chega o Olho, ganhou o estranho apelido por causa de uma cicatriz que o fazia parecer um pierrô dos velhos carnavais. O Olho é malandro profissional, personagem das ruas, moral duvidosa, um bom papo, de certo. Rodrigo jamais toparia um programa com ele por ser escorregadio demais. O Olho já chega entabulando uma conversa sobre os vários tipos de policial que existem: o bom moço, o corrupto, o violento, o cristão e outros tipos que ele afirmava existir.
- Eu já topei com todos os tipos, dá até para escrever um livro, só de enrolação que me meti e escapei já dá uns dois capítulos.
Dizem que o Olho era filho de classe média, alta, desgarrado há muito de suas origens.
Rodrigo se animou com a conversa e começou contar uma que lhe ocorrera faziam uns 5 dias: estava com um amigo num parque e foi flagrado, contava animado da tensa negociação que sucedeu. No final das contas, ficou sem um relógio e tudo foi "esquecido". Enquanto falava, José reparava no indisfarçável orgulho do amigo.

Rodrigo tinha passado muito tempo tentando pertencer àquele mundo; e agora, estava ali, conversando com a "realidade", como costumava falar. Nada de bancos de universidade, nada de estudos de caso, estava ali e conversava com a vida real. Já se via também como um personagem daquele universo, os becos lhe eram convidativos, os malandros lhe eram conhecidos, os códigos da rua eram abertos para ele à medida em que vivia. Teria abandonado tudo por esta experiência. Estava bem com ela, por mais que conhecidos de outros ambientes não conseguissem compreender, por mais que fosse tachado de insano, por mais que tivesse que dividir seus mundos, porque não seria possível unificá-los.

O mundo da rua não se une com outros mundos, os códigos da rua são outros. A moral é outra. O respeito que se impõe pode ter vários matizes: força física, força pessoal, malícia nos golpes, dribles nos infortúnios. Esses artifícios faziam parte do respeito que poderia ser conquistado, nem sempre pelo medo, mas sempre pela força. Rodrigo havia aprendido a viver neste mundo, era seu desejo. Queria morrer, como diz a música: de bala, crime ou vício... não queria esperar a morte.

Um novo personagem aparece, Severino, paraibano solitário. Lá no meio da conversa, onde esses papos sobre vida, morte, aparecem sempre com cores diferentes, próprias do lugar, Severino conta que tinha se metido numa briga na obra. Um dos colegas havia duvidado de sua macheza e Severino tinha baixado o sarrafo. E toca contar a briga em detalhes, onde os golpes pegaram etc. Rodrigo observava o pescoço de Severino ficando cada vez mais vermelho, quando chegou Paulo.
Rodrigo, num movimento involuntário, aprumou o corpo, espigou-se.


Paulo era um personagem querido para Rodrigo, um amor, embora tivesse relutado meses para admiti-lo, talvez por acreditar que em sua vida não coubesse mais amor deste tipo, uma mistura com paixão desenfreada; ou porque achasse que este tipo de sentimento não teria lugar naquele ambiente em que escolhera conviver. Rodrigo descobriu, surpreso, que o amor cabe em qualquer lugar. Eros, afinal, é um Deus. Não haveria ali, entretanto, lugar para pureza, para alegrias domésticas, mas não era isso que Rodrigo procurava e Paulo era a representação ideal do contraditório. Extremamente violento, empenhado em manter essa imagem intacta, era também um menino em busca de compreensão, mas a compreensão dispensada a ele teria que ser ofertada nos meandros das risadas noturnas, nas brincadeiras corporais mais íntimas, nunca em público, nunca abertamente, sempre na penumbra.

Desde de que conhecera Paulo, Rodrigo ia num redemoinho, num rio desconhecido, sem rumo, com rumo; às vezes, as águas ficavam mornas; às vezes, as corredeiras se acalmavam, mas quase sempre o movimento dos atos de Paulo atordoavam Rodrigo. Mas ele não conseguia mais evitá-lo; chegou a esta conclusão após uma briga e um porre. Concluiu, resoluto, que poderia ter evitado o confronto no início, mas não agora. Era um caminho sem volta, ele amava aquele homem incomensuravelmente.

Paulo chegou e cumprimentou a todos. Olhando para Rodrigo, fez um movimento breve com a cabeça. Todos os presentes sabiam que os dois tinham algo, mas também sabiam que, nas ruas, palavras ou movimentos extremados podem lhe custar o respeito e a tranquilidade. Rodrigo percebeu imediatamente, pelo olhar de Paulo, que não ficariam ali por muito mais tempo. Sairiam para loucuras na noite. Um pouco mais de conversa fiada, duas cervejas e os dois tomaram seu caminho.

Enquanto se afastavam, desviando-se dos outros transeuntes, José, que observava discretamente, disse para si mesmo:
- Esses dois...
E voltou-se para os amigos de copo e entabularam mais uma conversa sobre futebol.

segunda-feira, 23 de março de 2009

As caçadas de Nilo

Texto de 2000.
Autoria: Mônica Valéria

Cheguei à Candelária, uma das áreas da Mangueira, depois das duas da tarde. Caminhei naqueles labirintos e aportei na casa do meu tio, na qual ele vivia desde os anos 50. O tio estava numa cama, com o rosto coberto por uma toalha, magro e pálido. Quando a toalha lhe foi retirada do rosto, fitei sua velhice com um misto de reverência e curiosidade. Há quase dois anos não visitava Tio Nilo – Zizinho - seu apelido na família de meu pai. Ele abriu os olhos e fitou-nos, não reconheceu rostos, mas quando quase gritaram em seu ouvido quem era a visita, seus olhos distantes nos olharam com atenção. Meu tio-avô, irmão caçula de meu avô paterno... queria entrar em sua mente e conhecer todos que a vida não dera a oportunidade de encontrar: meu avô, minha avó, meus outros tios, meus bisavós... Queria ouvir suas vozes e saber de seus destinos.

No início, não consegui entender suas palavras, elas soavam distantes e fracas, um sussurro, que ele emitia com grande esforço. Sentei-me e decidi ouvi-lo. Ele falava, então, de suas dores e de suas impossibilidades, reclamava pelo fato de estar velho e alquebrado, dizia que queria morrer. Contou-me, muito triste, que não conseguia mais sentar, tomar banho, comer e que nem dormir lhe era possível; lamentou o incômodo que causava a todos na casa.

Eu ouvia suas palavras com a máxima atenção, percebi o quanto ele tentava me fitar, me ver, não conseguia do ângulo em que eu estava, tampouco me ouvia. Mudei então, sentei-me a seu lado; ironicamente, ele me escutava com o ouvido esquerdo, mas só me via com o olho direito. Ele percebeu, perspicaz que era, o meu genuíno interesse em conversar. De repente, seus olhos ficaram distantes, e ele olhou para um tempo longínquo e começou a divagar. Já não era mais o mesmo velho alquebrado, era um jovem, um menino, um homem forte e vigoroso.

Seus olhos se voltaram para o passado, e ele não estava mais preso a uma cama, eles recobraram o brilho há muito perdido. Então me contou de sua mãe de leite – Edvirges – que havia mamado nessa “preta” até os 5 anos; contou-me que gostava muito dela e de Conceição, e o quanto sua mãe as tinha em alta conta. As coisas vinham misturadas em sua mente, mas a sua voz mudou e também mudou a expressão de seu rosto, ganhou luz. Lembrou-se de suas caçadas... como gostava de caçar... tinha 10 anos quando pegou seu primeiro porco do mato, ainda de camisolas!!!... Como era melhor viver naquele mundo de memórias, o sorriso vinha sempre ao seu rosto, tão magro, tão enrugado. Um certo orgulho perpassou seus olhos quando disse de sua personalidade violenta e briguenta, de quantas tocaias seu amado cachorro Nero o havia defendido.

Conversamos sobre a mistura, e eu louvei a minha, ele lamentou o preconceito e contou de Rita – uma "preta" que ele namorara – disse-me que ia com ela para os bailes de brancos e não admitia que ninguém falasse nada.
- Quem ia ter coragem de falar alguma coisa comigo? Eu era brabo...
- Eu ia a todos os bailes, mas havia os de preto e os bailes de branco e não podia misturar não... mas eu ia a todos.

E, seguia. Eu, sem interrompê-lo:

- Meu avô – Manoel – era muito ruim. Foi morto por um escravo, por excesso de maldades...

Mas meu tio-avô louvou o seu pai, Amador, que, por época da libertação, dera um cordão de prata para as ‘negras’ e um relógio para os ‘negros’ e os mandara ir, mas nenhum tinha querido deixá-lo, porque ‘meu pai era um homem justo’. Perguntei pelo seu bisavô. E ele respondeu: “...ah...era também Manoel, mas eu não lembro dele, não”.

Falou de seus irmãos: Francisco, Antonio, Anorelino, Manoel, esse sim meu próprio avô, irmão de quem meu tio guardava grande mágoa. Quando ele falou de minha avó, Maria, cujo apelido era Santinha, houve uma mudança no seu tom; disse-me, com voz quase embargada, que ela era uma mulher bonita, bondosa, trabalhadora e muito sofrida. Nunca vi uma foto de minha avó paterna, o que conheci dela está na memória de meu pai, tudo muito vago e distante. Mulher sofrida... também não conheci minha avó materna, Maria; morreu quando minha mãe tinha 6 anos, era sofrida e muito batalhadora...realidade muito presente na nossa terra.

Perguntei sobre as noites na mata, os seres da floresta. Ele ficou sério e me disse que, como bom caçador, dormia sozinho na mata muitas vezes. Que só teve uma visão, e que esta ficara em sua mente para sempre; era ali, naquela cama, que ele pensava mais sobre essa imagem, esse encontro. Pensava no ser que havia encontrado, e a visão parecia até maior e mais real. Esse ente tinha olhos vermelhos e um círculo vermelho no peito e possuía uma coroa muito grande. Quando o viu na floresta, assustado, meu tio apontou-lhe a espingarda; o ser fitou profundamente seus olhos, pegou sua espingarda e jogou-a longe, sumindo na floresta. Tio Zizinho lamentou não ter tentado conversar, mas o medo dos dois os impediu, principalmente o dele.

Enquanto eu o ouvia atentamente, ficava a pensar o quão certeiros estavam seus pensamentos, o quão lúcidos; entristeceu-me pensar nisso, porque senti sua dor e senti medo da morte. Pensei na insignificância de uma vida e, ao mesmo tempo, na sua magnitude e significância. Somos todo o tempo um paradoxo.

E eu que gerava o novo dentro de mim, o absoluto início do bebê dentro do meu ventre e fitava o fim que logo viria para meu tio...tudo isso me encheu de sensações e pensamentos que não pude controlar e que me acompanharam por todo o caminho para casa e além. Ao mesmo tempo em que ele desejava ter mais alguns meses para ver o meu filho, ansiava que a morte viesse logo; se agarrava à vida e a mandava embora, como num jogo dos tempos da infância.

Estive lá por duas horas, aproximadamente. Fiquei com meu tio, a ouvir suas memórias. Quando ele se livrou do fardo de sua realidade e voltou seus olhos para o passado, vi um menino de novo, vi sua vida correr crispada em seus olhos. Ele queria contar muito mais, ele tinha muito para contar. Não lembrava e nem interessava lembrar coisas daquele cotidiano triste, mas, sim, do tempo em que suas pernas corriam, seus braços eram fortes e que ele não tinha tanto medo da morte e da vida.

Foi certamente uma tarde especial com meu tio. Nunca esquecerei. Marcou um tempo em mim. A brevidade da vida, nossa transitoriedade me atingiram como um raio. Por isso, e, por respeito a ele, esforcei-me ao máximo para ouvi-lo e compartilhar de seu mundo mental, ora turvo, ora vívido, que ele me oferecia sem pedir nada em troca.

sábado, 21 de março de 2009

Santuário



O Sublime de Michael Horsham, texto de 2000.
traduzido por Mônica Valéria Vargas

A capacidade para transcendência; a conexão entre coração e mente; o reconhecimento de um terror delicioso inspirado pelo desconhecido; a união entre um e muitos; a compreensão de nossa insignificância; o reconhecimento do sentimento; a capacidade dos humanos para reconhecer sua humanidade; o momento sublime.

No século XVIII, quando arte era discutida por filósofos como a evidência da habilidade que o homem possui de transcender o usual e despertar as sensibilidades mais elevadas, a noção do sublime foi unida inextricavelmente na mente acadêmica com a compreensão que o homem pode ter da natureza, e a representação mimética de fenômenos naturais. Interpretações sobre vulcões e tornados, sobre os desastres Bíblicos, sobre a história da pintura, debruçaram-se sobre a escala grandiosa do mundo natural, e assim estabeleceu que em comparação ao poder de um mar revolto ou de um fluxo de lava crepitante, nos somos pó. E como pó que somos, nós podemos ser varridos para longe, apagados bastante facilmente, por um poder maior que nós mesmos.

É o reconhecimento instintivo dessa nossa fragilidade inata como uma espécie que colore nossa compreensão do sublime. É a conjunção entre a natureza animal de nossa experiência e a nossa capacidade para abstrair a natureza daquela experiência em termos comparativos. Nós podemos conhecer medo, nós podemos conhecer prazer. Derivações mais fracas da palavra irão brincar com as conotações sobre felicidade - mas a palavra felicidade realmente não atinge a compreensão dos efeitos do tipo de apavorante prazer que o sublime pode comunicar.

Experimentar o sublime é verdadeiramente reconhecer que nós estamos vivos e o melhor modo de reconhecer que nós estamos vivos é apreender, mesmo que instintivamente ou subliminarmente, que o oposto daquela condição é o esquecimento. A mente é a receptora dos dados do sentido. A mente é o termo pelo qual o sentido é racionalizado em experiência. A divisão ou conexão corpo-mental é um velho enigma filosófico que nós não precisamos discutir aqui. Espírito, mente, a qualidade da experiência e o reconhecimento que nós podemos encarar e escapar da idéia do esquecimento são as chaves para o sublime. É como uma equação. A experiência do sublime é diretamente proporcional ao grau do reconhecimento da enormidade do fato de nossa existência. Esta enormidade é, obviamente, na totalidade das coisas, absolutamente insignificante.

Mas dentro dessa insignificância, nós somos capazes de vivenciar coisas de grande importância.

Maturidade